engolir lâminas vermelhas não interfere na cor

rasura tectónica

mia-me aos genes
durante a hélice do trovejante
sussurrada na alvura do osso
mineralizado

sibila-me nas escarpas
do epicarpo nervoso
os ódios que te têm
pelo fluido incerto
do seio primordial

mortifica-me com as veias
que não me pulsam

afia-me os bigodes do sono
e a cauda da morte

mutila-me a vagina
que me respira
debaixo do braço

implode-me dentro do teu ventre

por bruno miguel resende

4 Respostas

  1. Giraldoff

    Tu respiras arte e teu blogue é um exemplo perfeito desse respirar
    que te implode por dentro explodindo no verso, na imagem,
    como a rasura que te compõe

    Abraço

    2011/09/01 ás 14:44

  2. bons olhos te vejam, revejam, leiam, se estanquem num punhado de palavras que fazem valer a pena a cavalgadura tantas vezes solitária entre as coisas do espírito, da pulsão, do vício intempestivo de tentar criar. forte abraço giraldoff.

    2011/09/09 ás 0:21

  3. bardo

    pelo vocabulário difícil, sentes o que escreves?

    2011/11/21 ás 13:04

  4. Viva bardo. Plenamente. Neste caso a escrita foi inclusive espontânea, não sujeita a reformulações de índole lógica ou encadeamentos. Noutros casos existem ambas e uma necessidade de estruturação da palavra. Cumprimentos.

    2011/11/22 ás 4:04

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