escreve-me no estômago

para elsa oliveira

a montanha sagrada nasce-te em cada dedo

segredas-me a visceral escrita cuneiforme
pelo cume dos falos derramantes de maçã
enquanto o suor dos búzios me trespassa
pelo aqueduto germinado de antípoda

com as tenazes de um cacto furo o corpo
oxigenar o açúcar
oxigenar o açúcar
oxigenar o açúcar

cardumes de formigas frutadas penetram-me
em fendas de um calor suspenso
na penumbra das correntes de gengibre

funde-me
funde-me
funde-me

dos meus olhos escorre mar doce

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