o farol menstruado

uma concha fragmenta-se
na fricção do mar
enquanto um peixe de estrogénio aspira
derrames vermelhos do farol
aceso em pavio invertido
espelha em sangue desbotado
as virilhas da luz salgada

um ouriço gesticula os ângulos
das raízes peludas
de órgãos de fora
e as ondas lisas que não molham os picos
enquanto uma toalha lhe viaja
a infância à espuma

um arquipélago de barcos incendiados
desenha as fronteiras
do que não se fragmenta
e a tragédia de cada concha
que nunca se afogou

o farol geme o ciclo húmido
no abraço das luzes

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