ermitação em quatro artérias

pela artéria da terra
oscilam comprimidas as raízes
de discos coloridos
centram o entusiasmo húmido
na estrela enterrada
seca na esfera do cobre

pela artéria da água
o peixe verte infindo suor
duplo ao bifurcar língua
no ventre ardente das copas
escuras pupilas vindouras
enquanto orbitua gelo

um coração negro impulsa
degrada-se em quatro luzes
pelas artérias escavadas pela cobra

pela artéria do ar
bocas engolem espadas
até ao punho da artéria
onde o ejaculado vermelho
se derrama sem gravidade
pelos cantos da íris

pela artéria do fogo
paus sustentam a semente pendular
em fios umbilicais
tecidos pela aranha de capuz
com patas de fósforo
enquanto a cinza não chove

íris e a temascália do arco

23 de janeiro, viagem durante cerimónia de temazcal, jardim dourado

inspira

mantas do castanho ventre protegem
mantras em verde vapor
enquanto pedras seminais rubras
aglomeram do equilíbrio do tridente
ao berço da cova
e as pálpebras encerram
húmidos suores vulcânicos
da terra ao pulsar azul
que rebenta salgado
na testa

expira

um mar veloz centra

o peixe

no olhar terceiro

em pestanas se afiam dentes extremos
rectilínea boca germina
pulsações de escamas entrelaçadas
ao compulsivo nado
a fragmentar
rostos da incognoscível matéria

inspira

as comportas abrem do retiro aquático

o eixo do mundo fervilha

entre pestanas da linha da boca

cordões umbilicais unificam
o círculo ondular
contido ao contorno
fetal do rubro

ofega

o ritmo dos ossos dançantes
penetra o solo
com colunas de vértebras
formigam
para as entranhas do mundo
o solo geme o único
ao cordão

expira

rápida se afasta a testa
da grelha em profunda dimensão
quadricular redondo onde
nascituram rodas
às vaporosas vulvas
em eixos infinitos ninhos

ofega

os contornos embrionários pulsam
em escuridão umbilical contida
esfera fechada
no cobre amolgado

expira

inspira

ofega

sustém

o sémen é a fruta

o alambique é o ventre

a água ardente é o nascimento

e
a íris é o arco que nos une

o peixe, segundo a bebeth

o peixe, segundo a bebeth

glandura

para elsa oliveira

ouriçam faros em tapetes de castanha
enquanto escorridos dorsos fumegam
empolam nos ventres salpicos
de raposas que lemam
nesses rios de vento

lambuzam pela nuvem que sobe
enquanto javalis desolham vermelho
com resvalos duplicados
de cogumelos

ressacodem corpos a pelúcia
de rocha na hipnose cortada
de sol a derramar
o clive do ser
declive ao des-ser

penedos filtram sémen
de onde descolam águias
tingidas ao augurar vertigem

pinheiros partem braços
ao futurar abraço de brasa
e três hélices misturam
tempo na fenda da cabeça

o turbinal que sacode
o período de seiva
o período eolítico

cambo solar

para elsa oliveira

teias de galhos suspendem
o caudal estacado numa raiz
lançada sobre a dormitura
da areia

aranhiços fluviais seduzem
o musgo aberto entre coxas
de rocha
onde ferve o estalo líquido
e esfarelados
os flocos exuberam branco

sulcamos dedos a esplender
compressão
o losango dos braços
e encandeados na iluminura
sulcada de turfas
onde a carne aduba
crivamos musgo ao sangue
a ramalhar pestanas
ante sombra das raízes
que vibraram

há um barco vermelho
na anatomia modificada
da duna

atravessamos as amígdalas
das núvens com búzios trémulos
murmulharam

a lonjura
é o ritmo incongruente
de uma fragata encalhada

e de vertências na mandíbula
do rio em lustro festim
sermos torrentes de garganta
entre o sol intermitente
a salpicar as nádegas dos seixos
enquanto mastros de carne deslizam
em barbilhas de cascata
que mesmoriza
os emcambalados

e do branco exuberado dimana
a coruja oracular

o desejo é o cambo itifálico
que colhe o sol

murmulho

para elsa oliveira

grilaria estrela
o licor expresso de unhas
maceras entre
janelas invertebradas que condensam
palpites em pálpebras de damasco

ser nuvem de areia zumbida
ao umbigo de mel
e vêsperas a murmurar borbulhar
a murmulhar
a murar a bolha entre mãos de metal
a fragmentar terra às ondas

longe
de longe
escombros de aldrabastro em pó
aborressência
e bandeiras albergues de fraldas virgens
enfossam

uma lebre livre voa em garras de milhafre

caldeirar comprimidos

para elsa oliveira

a temperatura em pó vidra na geada

dentro
um eritema hormonal suspende
no teu âmbar de sacarose
com uma ponte no ventre
as tonturas diluídas deslizam em fios

e a pele
essa película crónica
agita-me o eterno insuficiente
para a frequência do possível súbito

fazer a siderurgia nos gânglios
até a temperatura em pó crepitar no nervo